domingo, 14 de outubro de 2012

O passado é uma roupa que não nos serve mais?



Eu vejo nas ruas vários casais que passeiam de mãos dadas, aquecendo os dedos um do outro nessas ruas frias de São Paulo, quem soltou essa de que não existe amor em SP está muitíssimo enganado, aqui existe tanto amor quanto em qualquer lugar! Olhando pra esses casais, a gente pode imaginar que talvez a maioria já tenha passado noites em claro tendo DR´s, chorando, reclamando de coisas que não podiam ser mudadas, condenando todos os antigos amores do seu amado, porque onde existe amor, às vezes existe um pouco de desconforto quando o assunto é o passado, aquele momento em que o outro nem cogitava estar com você, onde ele viveu as suas próprias aventuras, viveu outros amores, outras decepções e muitas alegrias, tudo isso sem você.

Velha roupa colorida é com certeza uma das minhas músicas preferidas e por muito tempo, durante minhas decepções amorosas, onde eu queria me convencer de que era melhor assim, saia gritando a plenos pulmões que o passado era uma roupa que não me servia mais, bobagem minha. Com o tempo a gente acaba aprendendo que não é bem assim, a palavra servir pode ter inúmeras conotações nesse caso, existe aquela roupa que não te serve porque você engordou, emagreceu, você mudou. Existe aquela outra roupa que não te serve mais porque ela não te oferece mais as vantagens que você antes achava que tinha, ou então você percebeu que estava atrás de outras vantagens, a roupa não faz mais o seu estilo, ela é exatamente do seu tamanho, mas não te apetece.

Mas aí tem vezes que o passado continua te servindo mesmo quando você segue em frente, afinal de contas, nem todas as roupas são descartadas porque queremos, você continua insistindo em vestir aquela roupa que está desbotada, em que falta um botão, que não tem o mesmo caimento de antes e mesmo assim, se acha maravilhoso quando se olha no espelho, não percebe os sinais de que não tá legal e que ou você muda alguma coisa em você pra que a roupa sirva ou então troca. E é aí que mora o problema da metáfora da roupa. Porque o passado não é de fato uma roupa, então não dá pra simplesmente trocar assim de repente e pronto.

Seguir em frente sem que o passado esteja resolvido é uma furada, você se magoa e machuca outra pessoa que não tem nada haver com isso e é por causa disso que tantos casais ficam chateados com o passado, não só pelo simples fato de ter ciúmes da boca que um dia beijou outra que não a sua, mas também pelo medo de existir algo mal resolvido nesse passado, talvez a pessoa que você ama tenha seguido em frente sem compreender todos os passos que a levaram até ali. E se de repente bate uma recaída? ...

Escuta só, você está com uma pessoa, a ama, pra resolver o problema do passado é mais simples do que se imagina, pega esse tempo que você passa se remoendo das lembranças de um passado que nem é seu e conversa sobre algo que realmente importa, se existe algo pendente na vida do seu amado. Pergunta se ele ta afim de ter aquela conversa com aquela ex que deu um fora nele e que não abriu espaço pra conversa, pra colocar os pingos nos is. Pergunta pra ela se aquele ex que a tanto fez chorar e que tanto a sacaneou ainda permeia seus pensamentos (não necessariamente por desejo, ou talvez por desejo, mesmo que você odeie admitir) por algo mal resolvido que às vezes nos obriga a pensar em alguém por ter alguma interrogação em algum ponto da nossa vida, ah e não se esqueça, tenha maturidade pra ouvir uma resposta sincera, porque se você não tiver maturidade pra isso, acho melhor repensar se um relacionamento sério é a melhor coisa pra você no momento.

Depois de acertado, desencana e curte o passado que trouxe a pessoa que você ama até aqui. O passado não necessariamente é uma roupa que não nos serve mais, mas deveria ser e se você está pensando que o seu passado ainda serve pra você, é hora de resolver isso e já.

sábado, 13 de outubro de 2012

A dor de não ser quem se é

Ao longo da vida é comum a todos o uso de várias máscaras: No trabalho, na vida social, no chopp com os amigos. Todas elas responsáveis por esconder um medo, um tique, um despudor qualquer. Às vezes as máscaras ajudam a conseguir aquele emprego tão desejado em que não cabe dizer que você gosta de dormir até às 11 da manhã todos os dias e que adora beber umazinha depois do dia abarrotado de trabalho, muito mais conveniente preencher no formulário de RH que ser perfeccionista é o seu maior defeito, e na boa amigo, quem sou eu pra te julgar por isso? Talvez eu ainda colocasse lá que infelizmente costumo chegar muito antes do combinado nos locais, quando, cá entre nós, você sabe que tem que me falar sempre a hora adiantada pra que eu ao menos TENTE chegar no horário.

O que me preocupa, no entanto, não é esse uso frequente de estereótipos comuns, que nos dão aquela forcinha quando não temos a necessidade de ser totalmente sinceros sobre quem somos, afinal, não é todo mundo que deve ter o privilégio de te conhecer em sua essência, só quem for merecedor disso. A coisa começa a pegar quando de repente você não consegue mais ser você mesmo, por vários motivos, porque esqueceu, porque é mais conveniente, porque é mais fácil, e aquelas pessoas realmente merecedoras da sua autenticidade se deparam com uma interrogação gigante no lugar da sua cara.

Putz, e agora? Agora amigo, é o seguinte, tira um tempinho, não muito, pra pensar um pouco, pensa na última coisa que você fez por si mesmo, pra se agradar, e não vale pensar na roupa que você comprou pra impressionar alguém ou aquela balada da moda que todo mundo tava comentando e você resolveu dar uma conferida, não, se liga, eu quero saber qual foi a última coisa que você fez pra agradar exclusivamente você, uma ideia que veio da sua cachola e que te proporcionou um momento super feliz. Não lembra quando foi? Então você já localizou o problema.

Agora faz um favor a si mesmo e tira essa máscara de vez em quando, tem gente bem legal que quer te conhecer, que merece te conhecer, mas principalmente, faz isso por você, porque isso vira uma bola de neve e se você resolver fazer aquela tatuagem que cobre as costas inteiras, que você quer desde sempre, aos 40 anos, aí o negócio vai ficar feito pro teu lado, eu sei que você pode até ser espírita, acreditar em vida após a morte, mas quem te garante que isso existe? Então pensa que aos 40 anos, já se passaram 40 anos e fim. Aproveita a vida enquanto é tempo, pensa que sendo você, no final você pode até não se dar bem, mas não vai ter arrependimentos quanto ao que NÃO fez e vai poder partir feliz desse mundo com o seguinte pensamento: “Eu fiz tudo que pude...E mais um pouco ;)”