sábado, 13 de outubro de 2012

A dor de não ser quem se é

Ao longo da vida é comum a todos o uso de várias máscaras: No trabalho, na vida social, no chopp com os amigos. Todas elas responsáveis por esconder um medo, um tique, um despudor qualquer. Às vezes as máscaras ajudam a conseguir aquele emprego tão desejado em que não cabe dizer que você gosta de dormir até às 11 da manhã todos os dias e que adora beber umazinha depois do dia abarrotado de trabalho, muito mais conveniente preencher no formulário de RH que ser perfeccionista é o seu maior defeito, e na boa amigo, quem sou eu pra te julgar por isso? Talvez eu ainda colocasse lá que infelizmente costumo chegar muito antes do combinado nos locais, quando, cá entre nós, você sabe que tem que me falar sempre a hora adiantada pra que eu ao menos TENTE chegar no horário.

O que me preocupa, no entanto, não é esse uso frequente de estereótipos comuns, que nos dão aquela forcinha quando não temos a necessidade de ser totalmente sinceros sobre quem somos, afinal, não é todo mundo que deve ter o privilégio de te conhecer em sua essência, só quem for merecedor disso. A coisa começa a pegar quando de repente você não consegue mais ser você mesmo, por vários motivos, porque esqueceu, porque é mais conveniente, porque é mais fácil, e aquelas pessoas realmente merecedoras da sua autenticidade se deparam com uma interrogação gigante no lugar da sua cara.

Putz, e agora? Agora amigo, é o seguinte, tira um tempinho, não muito, pra pensar um pouco, pensa na última coisa que você fez por si mesmo, pra se agradar, e não vale pensar na roupa que você comprou pra impressionar alguém ou aquela balada da moda que todo mundo tava comentando e você resolveu dar uma conferida, não, se liga, eu quero saber qual foi a última coisa que você fez pra agradar exclusivamente você, uma ideia que veio da sua cachola e que te proporcionou um momento super feliz. Não lembra quando foi? Então você já localizou o problema.

Agora faz um favor a si mesmo e tira essa máscara de vez em quando, tem gente bem legal que quer te conhecer, que merece te conhecer, mas principalmente, faz isso por você, porque isso vira uma bola de neve e se você resolver fazer aquela tatuagem que cobre as costas inteiras, que você quer desde sempre, aos 40 anos, aí o negócio vai ficar feito pro teu lado, eu sei que você pode até ser espírita, acreditar em vida após a morte, mas quem te garante que isso existe? Então pensa que aos 40 anos, já se passaram 40 anos e fim. Aproveita a vida enquanto é tempo, pensa que sendo você, no final você pode até não se dar bem, mas não vai ter arrependimentos quanto ao que NÃO fez e vai poder partir feliz desse mundo com o seguinte pensamento: “Eu fiz tudo que pude...E mais um pouco ;)”

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