domingo, 7 de julho de 2013
Bit me
E entre quatro paredes já fomos de tudo. Já fomos casados por anos, só por alguns minutos. Você já foi meu cavaleiro de armadura reluzente e eu sua donzela em perigo. Já foi meu bêbado com a barba por fazer e eu fui sua puta de meia rastão. E mesmo que o nosso faz de conta tenha acabado, o seu cheiro, aquele cheiro que eu tanto elogiava enquanto passeava com meu nariz pelo seu ventre, continua no meu colchão. Seu cheiro de homem, seus poros arrepiados, os pelos macios que trilham o caminho do paraíso abaixo do seu umbigo, tudo isso me faz falta. Por mais que você tenha mudado, que tenha cortado os cachinhos que eu tanto gostava de brincar, eu ainda assim perderia meu tempo pra achar outro hobby qualquer que envolvesse o teu corpo. Esse corpo que por diversas vezes em minhas fantasias foi meu, foi nosso, foi uma coisa só junto com o meu, é claro. Você com sua marra e força de vontade de homem, que esconde um brilho por trás dos olhos, você me despertou um interesse sem igual. E fez amor melhor do que ninguém, apesar de não ter me amado. Você que lê isso agora, você que se identifica, saiba que você está longe de ser um pedaço de mau caminho, você é a trilha inteira, o abismo completo, desses que a gente se joga no escuro rezando pra que tenha um colchão bem macio lá embaixo. Você desperta as notas ainda não conhecidas e inspira as canções ainda não inventadas, você está presente nos desejos das mulheres de verdade. Dessas que não se contentam com o príncipe Harry, mas que topariam com certeza uma cerveja com o bobo da corte. E eu tenho o imenso prazer de dizer que por algum tempo, você esteve presente como mais que uma fantasia na minha vida. Agora que você foi embora, você é tão homem que não deixou espaço vazio, não fez buraco no meu peito, você só veio pra curar feridas e pra fazer eu me sentir bela. Você deixou seu cheiro no ar e me fez feliz, exatamente como você queria fazer às meninas bobas que gostavam dos mini brad pitt da sua escola. Essa é a sua função no mundo. E depois que você pegou sua viola no canto do quarto de manhã, sem fazer barulho e me deu um beijo de hortelã, colocou um travesseiro debaixo dos meus braços só pra que eu não notasse a sua ausência. Quando acordei, encontrei o seu bilhete por entre os lençóis bagunçados na cama, o seu bilhete que dizia pra eu não deixar de usar aquele batom vermelho que infelizmente não carimbou a sua pele naquela noite.
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